
Foto: Reprodução/SkySports
Se fosse um filme, certamente o título seria ‘Um desastre anunciado’. A partir do momento em que a FIA determinou que o motor usado pela Ferrari em 2019 não se enquadrava no regulamento, a firma italiana encontrou-se às voltas com um carro desenvolvido para usar aquele motor e agora obrigada a usar um com cerca de 80 cavalos a menos.
Assim, todo o trabalho de desenvolvimento aerodinâmico, visando obter mais aderência, e portanto maior velocidade em curva e possibilidade de reacelerar a fundo nas saídas das mesmas curvas, não só foi perdido mas constituiu um insuperável obstáculo. Pois a falta daquela maior potência tornava esta Ferrari mais lenta nas retas ou, dependendo das regulagens utilizadas, impossibilitada de reacelerar a fundo já na saída das curvas. Já que esta forma de dirigir causaria uma saída de traseira que significava perder tempo para corrigí-la ou até mesmo, em casos extremos, sair da pista.
O dilema não tinha solução e o responsável técnico da Ferrari, Mattia Binotto, bem o sabia, como também sabia da impossibilidade de encontrar uma solução. Pelo que já se começou a pensar no futuro, chamando de volta o engenheiro Resta (que tinha sido prematuramente dispensado e colocado para supervisionar a linha de produção dos carros esportivos da Alfa Romeo) encarregando-o de projetar a Ferrari de 2022, pois o regulamento impede neste ano e no próximo grandes modificações nos carros atuais.
Esta medida, aceita por todos os construtores no chamado “Pacto da Concordia”, que leva o nome da praça parisiense onde se situa a sede da FIA, para conter os custos, não pode ser burlada e praticamente impede qualquer trabalho mais aprofundado nos carros atuais e nas versões que correrão em 2021.
Em consequência disso, os milhões de torcedores da Ferrari espalhados pelo mundo, logo ficaram sabendo que este ano não traria grandes triunfos e nem mesmo o ano vindouro. Como, aliás, já estamos vendo…