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Notícias não poderiam ser tão encorajadoras. Março foi um mês com mais dias úteis este ano e, portanto, favorável para as referências tradicionais de vendas, produção e exportações. Basta constatar: emplacaram-se 269,5 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, as melhores vendas desde março de 2013, ano marcado pelo segundo melhor resultado da história da indústria automobilística nacional.
Até os importadores têm o que comemorar: crescimento de 40% de fevereiro para março. Entretanto no primeiro trimestre, o avanço foi modesto: 5,6%. As exportações tiveram um bom e um mau resultado: março sobre fevereiro cresceram 21%; mas no primeiro trimestre caíram 18,5% em relação a 2025.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, mantém cautela em razão dos conflitos no Oriente Médio e adiou uma revisão dos números do ano de 2026 até os cenários externos e internos se consolidarem. Arcélio dos Santos Junior, presidente da Fenabrave, informou que o crescimento deste ano de veículos (sem computar motocicletas e tratores) giram em torno dos 3%. Percentual previsto semelhante ao da Anfavea.
O programa Carro Sustentável continua sendo, perdão do trocadilho, o sustentáculo das vendas até agora. Com o IPI zerado para apenas sete modelos compactos, a comercialização disparou 30% desde julho do ano passado. Há exigências de eficiência energética, sustentabilidade e adensamento industrial, mas os incentivos se enceram em 31 de dezembro próximo.
As expectativas para os próximos anos estão focadas na reforma tributária que entrará em vigor, por etapas, a partir de janeiro de 2027. Automóveis continuarão a ser altamente taxados pelo imposto seletivo, apelidado de imposto do pecado por incidir sobre bebidas alcóolicas e outros produtos nocivos à saúde, que se soma ao IVA (Imposto sobre Valor Agregado), no lugar do IPI e do ICMS. Não tem mais jeito. Automóveis no Brasil mantêm-se condenados à supertaxação, inédita no mundo civilizado, por se constituírem em bens de alto valor agregado e muito fácil de serem alcançados pelos fiscos federal, estadual e municipal.
Em nenhum momento os governos, em todos os níveis, querem arriscar a perder, em linguagem descontraída, a arrecadação proporcionada por uma autêntica “galinha dos ovos de ouro”. Esta metáfora, segundo I.A., vem de Esopo, lendário fabulista da Grécia Antiga.
